Por
Marcos Bittencourt
Influência dos Pioneiros e Empreendedores
O interesse em estudar a influência dos pioneiros e empreendedores para a elaboração teórica de uma pesquisa sobre o desenvolvimento da Administração encontra ênfase na formação dos conglomerados por eles desenvolvidos. Aquilo que foi a base da transformação e do aprofundamento do capitalismo para a criação do chamado Capitalismo Industrial serviu de modelo para a formação e o desenvolvimento de organizações bancárias e financeiras. Quase um século depois estas organizações se fortaleceram e se agigantaram diante da produção, aprisionando os próprios conglomerados de então. A financeirização do capital e a extrapolação da territorialidade econômica colocam a produção dependente e escrava do sistema financeiro. O que foi um dia chamado de capitalismo industrial, está hoje submetido ao que podemos chamar de Capitalismo Financeiro.
A empresa integrada verticalmente se formava por meio da combinação entre vários pequenos produtores de determinado bem que se agregavam em uma combinação horizontal, tal como uma federação, sob o controle de uma companhia centralizadora, ou holding. Essas alianças levaram à uma organização com escritórios centrais, permitindo a economia de escala por meio do processo padrão, a concentração da produção em fábricas e investimentos em pesquisa e desenvolvimento de produtos. Isso fez com que o escritório central passasse a controlar todo o processo e a decidir as atividades das fábricas e filiais, assim como as vendas e as compras. Essas unidades deixaram de ser dirigidas pelos antigos donos ou famílias então associadas e passaram a ser administradas por gerentes assalariados. Os melhores exemplos de então, apresentados na literatura acadêmica, são as companhias Standard Oil e a American Bell Telephone, grandes corporações norte-americanas.
A partir da segunda metade do século XIX, uma colossal mudança no cenário empresarial, impulsionada por invenções e inovações que mudaram a fisionomia do mundo e, conseqüentemente, das empresas, criou as condições para a consolidação das teorias administrativas.
Mega empreendimentos e grandes fusões, inicialmente na Inglaterra e logo posteriormente nos Estados Unidos, anteciparam ações que seriam disseminadas mundo afora. A rápida urbanização norte-americana, favorecida pelo desenvolvimento das ferrovias, criou novas necessidades de habitação, alimentação, vestuário e o fornecimento de serviços como luz, aquecimento, água, etc... Ao mesmo tempo, a urbanização e o desenvolvimento ferroviário criaram um grande mercado para o ferro e o aço.
Estavam dadas as condições para a formação de trustes. Pioneiros e empreendedores não perderam tempo. São muitos os exemplos de ações impulsionadas por pioneiros e empreendedores que conseguiram concentrar parcela importante do grande capital. Carnegie fundou o truste do aço, Swift e Armour fundam o truste das conservas, Guggenhein o do cobre e Mello o do alumínio. John Rockefeller fundara em 1865, a Standard Oil, gigante do ramo petrolífero, que logo viria a tomar grande importância com a difusão dos motores à explosão, movidos por derivados de petróleo.
Era a época dos criadores de impérios, que passaram a comprar e integrar concorrentes, controlando da ponta inicial da matéria-prima ao consumidor final, dominando fornecedores e distribuidores, garantindo, assim, seus interesses.
Para se ter uma idéia do poderio das grandes corporações, em 1880 a Westinghouse e a General Eletric dominavam o ramo de bens duráveis e criaram organizações próprias de vendas, com vendedores treinados, iniciando o que hoje denominamos marketing. Controlavam, também, as matérias-primas, adquirindo fornecedores, e criando uma rede de distribuição, visando vender seu produto diretamente aos varejistas ou aos consumidores finais. Tais atitudes foram seguidas pela maioria das empresas americanas e por grande parte de empresas em outros países.
Os aglomerados de empresas se tornaram grandes demais, para serem dirigidos por pequenos grupos familiares ou mesmo societários. Logo apareceram os primeiros gerentes, os primeiros organizadores, inicialmente focados mais na fábrica e na produção, mas posteriormente alargando seu espectro de atuação para o conjunto da organização, abarcando a produção e a manufatura, as vendas e os escritórios distritais de vendedores, distribuídos em nível nacional. Criaram, para tanto, departamentos correlatos. Expandiram, ainda, departamentos técnicos de engenharia para desenho e desenvolvimento de produtos e departamento financeiro.
O grande desenvolvimento tecnológico, o livre-comércio, a mudança dos mercados vendedores para mercados compradores, o crescimento acelerado dos negócios e das empresas e o aumento da capacidade de investimento de capital, trouxeram condições propícias para a fundação de bases científicas para a melhoria das práticas empresariais e para o amadurecimento da teoria administrativa.
Assim, a Revolução Industrial abriu as portas para o início da Era Industrial, que passou a dominar o mundo econômico até o final do século XX. A Revolução Industrial foi o divisor de águas, mantendo de um lado países industrializados, detentores de grandes avanços, e, na margem oposta, marginalizados mesmo, países não-industrializados, emergentes e subdesenvolvidos. Nos mesmos moldes ficaram separadas por profundo abismo as organizações mais bem administradas daquelas precariamente administradas.
O terceiro quarto do século XX vislumbrou o amanhecer da Era da Informação e, com o competente domínio da economia mundial por organizações financeiras e bancárias, assistimos o desenvolvimento do que podemos chamar de Capitalismo Financeiro.
Finalizando
As bases para a construção deste artigo foram formadas em obras escritas por Idalberto Chiavenato, Antonio Cesar Amaru Maximiano e Peter Drucker. Todos abordaram a Administração como ciência e buscaram expor as teorias administrativas sempre relacionadas, essencialmente, ao ser humano. Mesmo Peter Drucker, criador da Administração por Objetivos, defendia que uma organização só tem sentido porque é composta por pessoas. Muito se confunde Administração por Objetivos com imposição de metas. São coisas totalmente diferentes.
Teremos oportunidade de discutir em outros artigos as diferentes abordagens da Administração e suas bases teóricas. Buscaremos, também, desenvolver mais os aspectos econômicos e financeiros da Administração e demonstrar o predomínio das instituições financeiras e bancárias na economia mundial e a concentração exagerada de capital nas mãos destas empresas, tornando a produção, o trabalho e a sociedade reféns do sistema financeiro.
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sexta-feira, 16 de outubro de 2009
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Administração: a Ciência e as Influências - parte 3
Por
Marcos Bittencourt
Influência dos Economistas
A partir do século XVII, uma variedade de teorias econômicas centradas na explicação dos fenômenos empresariais e baseadas em dados empíricos começou a ganhar corpo. Essas teorias representaram a base do liberalismo. No entanto, foi somente no final do século XVIII que os economistas clássicos liberais conseguiram a aceitação de suas teorias.
Os expoentes do liberalismo econômico foram Adam Smith, James Will e David Ricardo. As teorias por eles expostas tiveram grande impacto posteriormente; e o ideário liberal pode ser resumidamente explicado como a crença real, concreta e definitiva de que a ordem natural é a mais perfeita das ordens e de que os bens naturais, sociais e econômicos são aqueles que possuem caráter eterno; direitos econômicos são inalienáveis e existe em toda coletividade de indivíduos uma harmonia preestabelecida.
Segundo o Liberalismo, a vida econômica deve subsistir apartada de qualquer influência estatal, posto que, por suas teorias, o trabalho segue os princípios econômicos e a mão-de-obra está sujeita as mesmas regras gerais da economia que regem o mercado de matérias-primas ou comércio internacional. Os operários, contudo, estão à mercê dos patrões, que são os donos dos meios de produção. A livre concorrência é o postulado principal do liberalismo econômico.
As sementes lançadas pelos economistas clássicos liberais constituem o arcabouço inicial do pensamento da administração moderna.
Adam Smith (1723 – 1790), economista escocês, é o fundador da economia clássica. Sua teoria tem como idéia central a competição. Smith defendia que nos mercados onde vigorasse a competição, o funcionamento da economia dar-se-ia de forma espontânea, confirmando a alocação mais eficiente dos recursos e da produção, ainda que os indivíduos agissem apenas em proveito próprio. Portanto, o papel do governo deveria se restringir a garantir a lei e a ordem e intervir na economia somente quando não exista mercado ou quando este deixe de funcionar satisfatoriamente, ou seja, quando não ocorra a livre concorrência ou livre competição.
Smith vislumbrou o princípio da especialização e o princípio da divisão do trabalho e os explanou em sua mais conhecida obra, A riqueza das nações, publicada em 1776.
Para Adam Smith, a origem da riqueza das grandes nações reside na divisão do trabalho e na especialização das tarefas. Preconizou, ainda, os estudos dos tempos e movimentos que, mais tarde, Taylor iria desenvolver como base fundamental da administração científica. Smith reforçou a importância do planejamento e da organização dentro das funções da administração.
James Will (1773 – 1836), também economista da escola liberal, sugeriu uma série de medidas relacionadas com os estudos dos tempos e movimentos em sua obra Elementos de economia política, publicada em 1826.
Em 1817, em Princípios de economia política e tributação, David Ricardo (1772 – 1823) aborda o trabalho como item de custo. Aborda, ainda, temas como capital, salário, renda, produção, preços e mercados.
A partir da segunda metade do século XIX, o liberalismo econômico perde sua influência, à medida que o capitalismo se agiganta, com o crescente número de fusões e aquisições formando enormes conglomerados industriais. Inicia-se a fase do chamado Capitalismo Industrial, calcado na produção em larga escala, com grandes concentrações de maquinaria e de mão-de-obra, criando situações bastante problemáticas de organização do trabalho, do ambiente, da concorrência econômica e do padrão de vida.
Karl Marx (1818 – 1883) e Friedrich Engel (1820 – 1895), publicam em 1848 o Manifesto Comunista e são, assim, considerados os criadores do socialismo científico e do materialismo histórico. Analisam os diversos regimes econômicos e sociais e principalmente a sociedade capitalista. Concluem que a luta de classes é o motor da história e que o estado é, sempre, um órgão a serviço da classe dominante.
Com a publicação em 1867 do primeiro volume de O Capital e a exposição das teorias a respeito da mais-valia, com base na teoria do valor-trabalho, Marx, neste aspecto, junta-se a Adam Smith e David Ricardo, defendendo que o valor de toda mercadoria é determinado pela quantidade de trabalho socialmente necessário para produzí-la.
No entanto, Marx foi além. Expôs que a força de trabalho é uma mercadoria cujo valor é determinado pelos meios de subsistência do trabalhador. Portanto, se ele trabalhar além do número de horas suficientes para suprir suas necessidades de alimentos, roupas, moradia, transporte, etc., estará produzindo não apenas o valor correspondente ao de sua força de trabalho, que lhe é pago sob a forma de salário, mas estará produzindo um valor excedente, sem contra-partida, que Marx denominou mais-valia. É dessa fonte, o excedente não pago, que são tirados os lucros dos capitalistas, sejam eles agricultores, comerciantes, industriais ou banqueiros, além de fontes como terra, juros, etc.
Marx defendia que a taxa de mais-valia era a relação entre a mais-valia e o salário. Portanto, inalterados os salários reais, a taxa de mais-valia elevar-se-ia quando a jornada de trabalho e/ou a intensidade do trabalho aumentasse. Para Marx seria essa relação que definiria o grau de exploração sobre o trabalhador.
Tanto por sua obra como por sua intensa militância política, Marx influenciou a visão social e econômica, oferecendo suporte ao desenvolvimento do socialismo e do sindicalismo, obrigando o capitalismo a buscar o máximo aperfeiçoamento dos fatores de produção e adequada remuneração da força de trabalho. Assim, quanto maior a pressão exercida pelo proletariado, menos graves se tornam as injustiças e mais acelerado e intenso o desenvolvimento tecnológico.
Por conseguinte, acentuou-se a necessidade de implantação de um sistema administrativo que viesse a fazer frente às crescentes demandas trabalhistas e sociais. O início do século XX assistiu os primeiros esforços empresariais para implantar métodos e processos de racionalização do trabalho, com estudos metódicos e desenvolvidas exposições teóricas.
Marcos Bittencourt
Influência dos Economistas
A partir do século XVII, uma variedade de teorias econômicas centradas na explicação dos fenômenos empresariais e baseadas em dados empíricos começou a ganhar corpo. Essas teorias representaram a base do liberalismo. No entanto, foi somente no final do século XVIII que os economistas clássicos liberais conseguiram a aceitação de suas teorias.
Os expoentes do liberalismo econômico foram Adam Smith, James Will e David Ricardo. As teorias por eles expostas tiveram grande impacto posteriormente; e o ideário liberal pode ser resumidamente explicado como a crença real, concreta e definitiva de que a ordem natural é a mais perfeita das ordens e de que os bens naturais, sociais e econômicos são aqueles que possuem caráter eterno; direitos econômicos são inalienáveis e existe em toda coletividade de indivíduos uma harmonia preestabelecida.
Segundo o Liberalismo, a vida econômica deve subsistir apartada de qualquer influência estatal, posto que, por suas teorias, o trabalho segue os princípios econômicos e a mão-de-obra está sujeita as mesmas regras gerais da economia que regem o mercado de matérias-primas ou comércio internacional. Os operários, contudo, estão à mercê dos patrões, que são os donos dos meios de produção. A livre concorrência é o postulado principal do liberalismo econômico.
As sementes lançadas pelos economistas clássicos liberais constituem o arcabouço inicial do pensamento da administração moderna.
Adam Smith (1723 – 1790), economista escocês, é o fundador da economia clássica. Sua teoria tem como idéia central a competição. Smith defendia que nos mercados onde vigorasse a competição, o funcionamento da economia dar-se-ia de forma espontânea, confirmando a alocação mais eficiente dos recursos e da produção, ainda que os indivíduos agissem apenas em proveito próprio. Portanto, o papel do governo deveria se restringir a garantir a lei e a ordem e intervir na economia somente quando não exista mercado ou quando este deixe de funcionar satisfatoriamente, ou seja, quando não ocorra a livre concorrência ou livre competição.
Smith vislumbrou o princípio da especialização e o princípio da divisão do trabalho e os explanou em sua mais conhecida obra, A riqueza das nações, publicada em 1776.
Para Adam Smith, a origem da riqueza das grandes nações reside na divisão do trabalho e na especialização das tarefas. Preconizou, ainda, os estudos dos tempos e movimentos que, mais tarde, Taylor iria desenvolver como base fundamental da administração científica. Smith reforçou a importância do planejamento e da organização dentro das funções da administração.
James Will (1773 – 1836), também economista da escola liberal, sugeriu uma série de medidas relacionadas com os estudos dos tempos e movimentos em sua obra Elementos de economia política, publicada em 1826.
Em 1817, em Princípios de economia política e tributação, David Ricardo (1772 – 1823) aborda o trabalho como item de custo. Aborda, ainda, temas como capital, salário, renda, produção, preços e mercados.
A partir da segunda metade do século XIX, o liberalismo econômico perde sua influência, à medida que o capitalismo se agiganta, com o crescente número de fusões e aquisições formando enormes conglomerados industriais. Inicia-se a fase do chamado Capitalismo Industrial, calcado na produção em larga escala, com grandes concentrações de maquinaria e de mão-de-obra, criando situações bastante problemáticas de organização do trabalho, do ambiente, da concorrência econômica e do padrão de vida.
Karl Marx (1818 – 1883) e Friedrich Engel (1820 – 1895), publicam em 1848 o Manifesto Comunista e são, assim, considerados os criadores do socialismo científico e do materialismo histórico. Analisam os diversos regimes econômicos e sociais e principalmente a sociedade capitalista. Concluem que a luta de classes é o motor da história e que o estado é, sempre, um órgão a serviço da classe dominante.
Com a publicação em 1867 do primeiro volume de O Capital e a exposição das teorias a respeito da mais-valia, com base na teoria do valor-trabalho, Marx, neste aspecto, junta-se a Adam Smith e David Ricardo, defendendo que o valor de toda mercadoria é determinado pela quantidade de trabalho socialmente necessário para produzí-la.
No entanto, Marx foi além. Expôs que a força de trabalho é uma mercadoria cujo valor é determinado pelos meios de subsistência do trabalhador. Portanto, se ele trabalhar além do número de horas suficientes para suprir suas necessidades de alimentos, roupas, moradia, transporte, etc., estará produzindo não apenas o valor correspondente ao de sua força de trabalho, que lhe é pago sob a forma de salário, mas estará produzindo um valor excedente, sem contra-partida, que Marx denominou mais-valia. É dessa fonte, o excedente não pago, que são tirados os lucros dos capitalistas, sejam eles agricultores, comerciantes, industriais ou banqueiros, além de fontes como terra, juros, etc.
Marx defendia que a taxa de mais-valia era a relação entre a mais-valia e o salário. Portanto, inalterados os salários reais, a taxa de mais-valia elevar-se-ia quando a jornada de trabalho e/ou a intensidade do trabalho aumentasse. Para Marx seria essa relação que definiria o grau de exploração sobre o trabalhador.
Tanto por sua obra como por sua intensa militância política, Marx influenciou a visão social e econômica, oferecendo suporte ao desenvolvimento do socialismo e do sindicalismo, obrigando o capitalismo a buscar o máximo aperfeiçoamento dos fatores de produção e adequada remuneração da força de trabalho. Assim, quanto maior a pressão exercida pelo proletariado, menos graves se tornam as injustiças e mais acelerado e intenso o desenvolvimento tecnológico.
Por conseguinte, acentuou-se a necessidade de implantação de um sistema administrativo que viesse a fazer frente às crescentes demandas trabalhistas e sociais. O início do século XX assistiu os primeiros esforços empresariais para implantar métodos e processos de racionalização do trabalho, com estudos metódicos e desenvolvidas exposições teóricas.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Administração: a Ciência e as Influências - parte 2
Por
Marcos Bittencourt
Influência da Revolução Industrial
Para que possamos melhor compreender a influência da Revolução Industrial na Administração, é importante analisar seus dois períodos distintos, posto que de seu desenvolvimento surge a chamada Terceira Revolução Industrial, ou a Era da Informação.
A Primeira Revolução Industrial, que vai de 1780 a 1860, pode ser dividida em quatro fases:
1 - Mecanização da indústria e da agricultura;
2 - A aplicação da força motriz à indústria;
3 - O desenvolvimento do sistema fabril;
4 - Um espetacular aceleramento dos transportes e das comunicações.
É na Primeira Revolução Industrial que se inicia a transformação das oficinas artesanais em fábricas, obrigando a fusão de oficinas, para que, fortalecidas, pudessem resistir à competição que se impunha. Os artesãos sem capital suficiente e/ou aqueles que não conseguiram se fundir a alguma fábrica mais desenvolvida, viram-se na situação de entregar sua mão-de-obra a utilização das organizações que surgiram, transformando-se em operários assalariados, algo novo para a época.
A quarta fase da Primeira Revolução Industrial, representou uma aceleração espetacular nos transportes e nas comunicações, trouxe as invenções do telégrafo elétrico e do telefone, precipitando, assim a Segunda Revolução Industrial.
A Segunda Revolução Industrial apresentou como destaques:
* A substituição do ferro pelo aço, como matéria-prima básica;
* A substituição do vapor pela eletricidade e derivados do petróleo;
* Desenvolvimento da maquinaria automática;
* A especialização do trabalhador;
* O domínio da indústria pela ciência;
* O desenvolvimento das ferrovias;
* A construção em escala do automóvel;
* O desenvolvimento da produção em série ou em massa, através da linha de montagem, por Henry Ford;
* As primeiras experiências aeronáuticas motorizadas bem sucedidas, com Santos Dumont.
Contudo, é o desenvolvimento de novas formas de organização capitalista no limiar do século XX, já na Segunda Revolução Industrial, que impõe proeminência e importância à influência imposta à Administração.
A dominação da indústria por organizações bancárias e instituições financeiras e de crédito, as volumosas acumulações de capital, provenientes de trutes e fusões, a separação entre a propriedade e a direção das empresas e o surgimento da figura da “holding”, coordenando e integrando diversos negócios, levou ao crescente controle da economia por grupos financeiros, o que, não só perdura nos dias atuais, como parece perenizar-se, diversificando, com forte incremento por parte de fundos mútuos e previdenciários controlados por instituições bancárias.
A produção artesanal, através de “corporações de ofício”, foi substituída pela produção por máquinas, dentro de grandes fábricas, forçando súbita transformação, que pode ser observada pela transferência da habilidade do artesão para a máquina e pela substituição da força humana e da tração animal pela potência da máquina a vapor e, posteriormente, pela máquina elétrica e pelo motor a explosão.
Surgia, então, a figura do operário especialista, afeito apenas a uma parcela da produção, em detrimento do generalista, que dominava todo o processo. Explode um mercado de trabalho ocupado por batalhões de operários, formando a nova classe proletária.
Marcos Bittencourt
Influência da Revolução Industrial
Para que possamos melhor compreender a influência da Revolução Industrial na Administração, é importante analisar seus dois períodos distintos, posto que de seu desenvolvimento surge a chamada Terceira Revolução Industrial, ou a Era da Informação.
A Primeira Revolução Industrial, que vai de 1780 a 1860, pode ser dividida em quatro fases:
1 - Mecanização da indústria e da agricultura;
2 - A aplicação da força motriz à indústria;
3 - O desenvolvimento do sistema fabril;
4 - Um espetacular aceleramento dos transportes e das comunicações.
É na Primeira Revolução Industrial que se inicia a transformação das oficinas artesanais em fábricas, obrigando a fusão de oficinas, para que, fortalecidas, pudessem resistir à competição que se impunha. Os artesãos sem capital suficiente e/ou aqueles que não conseguiram se fundir a alguma fábrica mais desenvolvida, viram-se na situação de entregar sua mão-de-obra a utilização das organizações que surgiram, transformando-se em operários assalariados, algo novo para a época.
A quarta fase da Primeira Revolução Industrial, representou uma aceleração espetacular nos transportes e nas comunicações, trouxe as invenções do telégrafo elétrico e do telefone, precipitando, assim a Segunda Revolução Industrial.
A Segunda Revolução Industrial apresentou como destaques:
* A substituição do ferro pelo aço, como matéria-prima básica;
* A substituição do vapor pela eletricidade e derivados do petróleo;
* Desenvolvimento da maquinaria automática;
* A especialização do trabalhador;
* O domínio da indústria pela ciência;
* O desenvolvimento das ferrovias;
* A construção em escala do automóvel;
* O desenvolvimento da produção em série ou em massa, através da linha de montagem, por Henry Ford;
* As primeiras experiências aeronáuticas motorizadas bem sucedidas, com Santos Dumont.
Contudo, é o desenvolvimento de novas formas de organização capitalista no limiar do século XX, já na Segunda Revolução Industrial, que impõe proeminência e importância à influência imposta à Administração.
A dominação da indústria por organizações bancárias e instituições financeiras e de crédito, as volumosas acumulações de capital, provenientes de trutes e fusões, a separação entre a propriedade e a direção das empresas e o surgimento da figura da “holding”, coordenando e integrando diversos negócios, levou ao crescente controle da economia por grupos financeiros, o que, não só perdura nos dias atuais, como parece perenizar-se, diversificando, com forte incremento por parte de fundos mútuos e previdenciários controlados por instituições bancárias.
A produção artesanal, através de “corporações de ofício”, foi substituída pela produção por máquinas, dentro de grandes fábricas, forçando súbita transformação, que pode ser observada pela transferência da habilidade do artesão para a máquina e pela substituição da força humana e da tração animal pela potência da máquina a vapor e, posteriormente, pela máquina elétrica e pelo motor a explosão.
Surgia, então, a figura do operário especialista, afeito apenas a uma parcela da produção, em detrimento do generalista, que dominava todo o processo. Explode um mercado de trabalho ocupado por batalhões de operários, formando a nova classe proletária.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Administração: a Ciência e as Influências - parte 1
Por
Marcos Bittencourt
Influência da Filosofia
A história da administração encarada como ciência, é recente. No decorrer da história da humanidade ela se desenvolveu de forma lenta, mas contínua; recebendo ao longo contribuições dos mais diversos setores do conhecimento humano. Somente no início do século XX, é que a administração se estabeleceu como ciência, sendo modernamente agrupada no campo das ciências sociais aplicadas.
A primeira influência aposta à administração, ocorreu na Antigüidade, por parte dos filósofos gregos. Sócrates (470 a.C. - 399 a.C.), por exemplo, garantia ser a administração uma habilidade pessoal, separada do conhecimento técnico e da experiência.
Sócrates não deixou escritos, mas seus discursos e diálogos foram eternizados, principalmente, por Platão. Em um desses discursos, Sócrates fala a Nicomaquides:
“Sobre qualquer coisa que o homem possa presidir, ele será, se souber do que precisa e se for capaz de provê-lo, um bom presidente. Quer tenha a direção de um coro, uma família, uma cidade ou um exército. Não é também uma tarefa punir os maus e honrar os bons? Portanto, Nicomaquides, não desprezeis homens hábeis em administrar seus haveres; pois os afazeres privados diferem dos públicos somente em magnitude; em outros aspectos são similares. Mas o que mais se deve observar é que nenhum deles pode ser gerido sem homens. Nem os afazeres privados são geridos por uma espécie de homem e os públicos por outra; pois aqueles que conduzem os negócios públicos não utilizam homens de natureza diferentes daqueles empregados pelos que gerem negócios privados; e os que sabem empregá-los, conduzem tanto os negócios públicos quanto os privados judiciosamente, enquanto aqueles que não sabem errarão na administração de ambos.”
Influenciado por Sócrates, Platão (429 a.C. - 347 a.C) também tratou do tema. Em sua obra, A República, analisou problemas políticos e sociais do povo grego, em decorrência de seu desenvolvimento social e cultural e expôs a forma democrática de governo e de administração dos negócios públicos.
Aristóteles (384 a.C. - 322 a.C.), em seu livro, Política, distingue três formas de administração pública, vigentes até hoje:
1- Monarquia ou governo de um só;
2- Aristocracia ou governo de uma elite;
3- Democracia ou governo do povo.
Ao longo dos séculos outros filósofos influenciaram a administração. Dentre estes, Francis Bacon (1561 – 1626), filósofo inglês, mostrou a preocupação prática de separar experimentalmente o essencial do acidental ou acessório. Antecipou-se, assim, ao princípio da administração conhecido como “Princípio da prevalência do principal sobre o acessório”.
René Descartes (1596 - 1650), filósofo, matemático e físico francês, criador das coordenadas cartesianas ou método cartesiano, na obra O Discurso do Método, evidenciou quatro princípios básicos para a administração:
1- Princípio da dúvida sistemática, ou da evidência, que consiste em somente aceitar como verdade algo que de forma claramente evidente, foi comprovado. Com a dúvida sistemática, evita-se precipitação.
2- princípio da análise ou de decomposição, que consiste em dividir e decompor dificuldades e problemas em quantas partes sejam possíveis e necessárias para resolvê-los separadamente.
3- Princípio da síntese ou da composição, que consiste em conduzir ordenadamente pensamento e raciocínio por objetivos e assuntos, a partir dos mais fáceis e, gradativamente, atingir os mais difíceis e complexos.
4- Princípio da enumeração ou da verificação que consiste em fazer recontagens, verificações e revisões abrangentes e gerais, assegurando nenhuma omissão ou qualquer assunto à parte.
Thomas Hobbes (1588 – 1679), filósofo inglês, em função de sua visão pessimista da humanidade defendeu o governo absoluto. Entendia ele que a humanidade livremente tende à guerra e conflitos permanentes para obtenção de meios de subsistência, por isso um governo que imponha ordem, organização da vida social, investido de poder seria necessário. Esse tipo de estado defendido por Hobbes deveria nascer de um pacto social, mas que ao crescer dominaria toda a sociedade, ameaçando a liberdade.
Por outro lado o filósofo francês Jean-Jacques Rousseau (1712 – 1778), desenvolveu a Teoria do Contrato Social, onde o estado nasce de um acordo de vontades. Este acordo acontece entre os membros de uma sociedade, que reconhecem autoridade igual sobre todos, através de um regime político ou de um conjunto de regras. Rousseau garantia que o homem seria bom por natureza, mas que a vida em sociedade deturpa sua bondade natural.
Karl Marx (1818 – 1883) e Friedrich Engels (1820 – 1895), apresentam uma teoria de origem econômica do estado. Como as teorias propostas por Marx e Engels ganharam grande importância social, política e econômica, serão discutidas mais adiante, juntamente com a análise da influência dos economistas na administração.
A Igreja também deu sua contribuição à administração, utilizando-se de regras, normas, propósitos, objetivos e princípios fundamentais da administração, servindo, portanto, como elemento exemplar, posto que a Igreja consegue operar sua enorme organização mundial sob o comando de uma só cabeça executiva. A estrutura que a igreja montou, hoje é modelo para muitas empresas.
Pode ser citada, ainda, a influência exercida pela organização militar no aparecimento das teorias da administração. A organização linear, o princípio da unidade e comando, a escala hierárquica, são aspectos típicos da organização militar. Com o alcance maior e o âmbito continental das guerras, as organizações militares desenvolveram novos princípios de organização. Planejamento e controle centralizados em paralelo com operações descentralizadas: é o princípio da centralização do comando e da descentralização da execução.
Outras importantes contribuições da organização militar para a administração incluem a criação de órgãos de assessoria. O estado maior – (Staff) – para trabalhar junta ao comando – (Linha) -; o princípio de direção, que define que cada subordinado deve saber exatamente o que se espera dele; e, talvez, a grande contribuição para a moderna administração: o planejamento estratégico.
Marcos Bittencourt
Influência da Filosofia
A história da administração encarada como ciência, é recente. No decorrer da história da humanidade ela se desenvolveu de forma lenta, mas contínua; recebendo ao longo contribuições dos mais diversos setores do conhecimento humano. Somente no início do século XX, é que a administração se estabeleceu como ciência, sendo modernamente agrupada no campo das ciências sociais aplicadas.
A primeira influência aposta à administração, ocorreu na Antigüidade, por parte dos filósofos gregos. Sócrates (470 a.C. - 399 a.C.), por exemplo, garantia ser a administração uma habilidade pessoal, separada do conhecimento técnico e da experiência.
Sócrates não deixou escritos, mas seus discursos e diálogos foram eternizados, principalmente, por Platão. Em um desses discursos, Sócrates fala a Nicomaquides:
“Sobre qualquer coisa que o homem possa presidir, ele será, se souber do que precisa e se for capaz de provê-lo, um bom presidente. Quer tenha a direção de um coro, uma família, uma cidade ou um exército. Não é também uma tarefa punir os maus e honrar os bons? Portanto, Nicomaquides, não desprezeis homens hábeis em administrar seus haveres; pois os afazeres privados diferem dos públicos somente em magnitude; em outros aspectos são similares. Mas o que mais se deve observar é que nenhum deles pode ser gerido sem homens. Nem os afazeres privados são geridos por uma espécie de homem e os públicos por outra; pois aqueles que conduzem os negócios públicos não utilizam homens de natureza diferentes daqueles empregados pelos que gerem negócios privados; e os que sabem empregá-los, conduzem tanto os negócios públicos quanto os privados judiciosamente, enquanto aqueles que não sabem errarão na administração de ambos.”
Influenciado por Sócrates, Platão (429 a.C. - 347 a.C) também tratou do tema. Em sua obra, A República, analisou problemas políticos e sociais do povo grego, em decorrência de seu desenvolvimento social e cultural e expôs a forma democrática de governo e de administração dos negócios públicos.
Aristóteles (384 a.C. - 322 a.C.), em seu livro, Política, distingue três formas de administração pública, vigentes até hoje:
1- Monarquia ou governo de um só;
2- Aristocracia ou governo de uma elite;
3- Democracia ou governo do povo.
Ao longo dos séculos outros filósofos influenciaram a administração. Dentre estes, Francis Bacon (1561 – 1626), filósofo inglês, mostrou a preocupação prática de separar experimentalmente o essencial do acidental ou acessório. Antecipou-se, assim, ao princípio da administração conhecido como “Princípio da prevalência do principal sobre o acessório”.
René Descartes (1596 - 1650), filósofo, matemático e físico francês, criador das coordenadas cartesianas ou método cartesiano, na obra O Discurso do Método, evidenciou quatro princípios básicos para a administração:
1- Princípio da dúvida sistemática, ou da evidência, que consiste em somente aceitar como verdade algo que de forma claramente evidente, foi comprovado. Com a dúvida sistemática, evita-se precipitação.
2- princípio da análise ou de decomposição, que consiste em dividir e decompor dificuldades e problemas em quantas partes sejam possíveis e necessárias para resolvê-los separadamente.
3- Princípio da síntese ou da composição, que consiste em conduzir ordenadamente pensamento e raciocínio por objetivos e assuntos, a partir dos mais fáceis e, gradativamente, atingir os mais difíceis e complexos.
4- Princípio da enumeração ou da verificação que consiste em fazer recontagens, verificações e revisões abrangentes e gerais, assegurando nenhuma omissão ou qualquer assunto à parte.
Thomas Hobbes (1588 – 1679), filósofo inglês, em função de sua visão pessimista da humanidade defendeu o governo absoluto. Entendia ele que a humanidade livremente tende à guerra e conflitos permanentes para obtenção de meios de subsistência, por isso um governo que imponha ordem, organização da vida social, investido de poder seria necessário. Esse tipo de estado defendido por Hobbes deveria nascer de um pacto social, mas que ao crescer dominaria toda a sociedade, ameaçando a liberdade.
Por outro lado o filósofo francês Jean-Jacques Rousseau (1712 – 1778), desenvolveu a Teoria do Contrato Social, onde o estado nasce de um acordo de vontades. Este acordo acontece entre os membros de uma sociedade, que reconhecem autoridade igual sobre todos, através de um regime político ou de um conjunto de regras. Rousseau garantia que o homem seria bom por natureza, mas que a vida em sociedade deturpa sua bondade natural.
Karl Marx (1818 – 1883) e Friedrich Engels (1820 – 1895), apresentam uma teoria de origem econômica do estado. Como as teorias propostas por Marx e Engels ganharam grande importância social, política e econômica, serão discutidas mais adiante, juntamente com a análise da influência dos economistas na administração.
A Igreja também deu sua contribuição à administração, utilizando-se de regras, normas, propósitos, objetivos e princípios fundamentais da administração, servindo, portanto, como elemento exemplar, posto que a Igreja consegue operar sua enorme organização mundial sob o comando de uma só cabeça executiva. A estrutura que a igreja montou, hoje é modelo para muitas empresas.
Pode ser citada, ainda, a influência exercida pela organização militar no aparecimento das teorias da administração. A organização linear, o princípio da unidade e comando, a escala hierárquica, são aspectos típicos da organização militar. Com o alcance maior e o âmbito continental das guerras, as organizações militares desenvolveram novos princípios de organização. Planejamento e controle centralizados em paralelo com operações descentralizadas: é o princípio da centralização do comando e da descentralização da execução.
Outras importantes contribuições da organização militar para a administração incluem a criação de órgãos de assessoria. O estado maior – (Staff) – para trabalhar junta ao comando – (Linha) -; o princípio de direção, que define que cada subordinado deve saber exatamente o que se espera dele; e, talvez, a grande contribuição para a moderna administração: o planejamento estratégico.
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